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21/10/2005 19:33
Caro Marco Aurélio Weissheimer, sobre seu artigo na Agência Carta Maior agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=1512&coluna=boletim
Antes de manifestar algumas discordâncias, elogio pontos de afinidade com teu artigo "Cuidado, aqui mora um homem de bem!" - Ótima frase em contraposição à frase "nesta casa não possuimos arma" da campanha do Nâo. Também achei inspiradas as considerações sobre a ausência das "mulheres de bem".
E a Zero Hora! - O jornal dos "homens de bem" por excelência! Para as "mulheres de bem", com seu discreto charme, e as "crianças de bem", o "Jornal de Bem" tem o Caderno Donna, Célia Ribeiro, Revista da TV, Zé Agá, Meu Filho e outras jóias da neo tradicional família proprietária.
Há que se notar, porém, que a RBS posiciona-se contrária à sua fornecedora e mamãe Rede Globo (e suas revistas É Poca e Aquém). Outra coisa a notar é que o Estatuto, extremamente restritivo e muito repressivo (penas pesadíssimas para infratores) está e permanecerá em vigor e só um Estado muito pífio e incompetente não conseguiria, com esta lei, levar para próximo de zero por cento os acidentes e crimes relacionados a armas legalmente vendidas. Apostando na própria incompetência o Estado pode vir a fazer como o Romualdo naquele "causo" em que, para acabar com os ratos em sua chácara, compra gatos, depois para acabar com os gatos, compra cachorros, para acabar com os cachorros...
Quanto aos "homens de BENS", caso vença o Sim, continuarão a ter armas a seu serviço, através das "empresas de segurança". Quem ficará impossibilitada neste caso, em último e derradeiro recurso, de defender-se e reagir é a classe média. Ora direis: defender-se do quê, e como?! Eu te digo que muito provavelmente, na imensa maioria dos casos, defender-se do medo, a qualquer prazo, e do desamparo, em eventuais circunstâncias - motivos coerentes e justos. Eu mesmo, embora não possua arma de fogo, já passei por situação em que, por algumas noites, após arrombamento e roubo, só consegui permanecer em casa (era um lugar um tanto ermo), e dormir, trancado no quarto e com uma arma (emprestada) ao lado da cama. Podemos passar a vida sem nunca precisar usar nossos caninos, nossos punhos e unhas, mas é bom saber que eles estão ali.
Ridícula a afirmação da ZH de que o assunto é complexo demais para o povo, mas digo que foi discutido durante pouco tempo e erroneamente, porque mais em cima de opiniões, deturpações e mentiras, do que de fatos e análises - uma campanha séria começaria por dar a conhecer o Estatuto a todos e faria minuciosas análises de cada um de seus artigos, para sabermos sob que lei estamos hoje, quais têm sido seus resultados e, a partir daí, podermos verificar se estes já não seriam suficientes, se realmente seria necessário inutilizar todas as armas registradas (exceto as das milícias públicas e privadas) o que ocorrerá assim que a munição ficar vencida.
Para encerrar, digo que não gosto dessas medidas extremas e definitivas. Já que toda esta discussão está mesmo girando em torno de hipóteses, proponho imagine-se mais uma: a proibição ou liberação votada a cada 4 anos, junto com as eleições - neste caso teríamos mais um ano para ver o que resulta do Estatuto e melhorar o debate. Aí seria muito mais tranqüilo optar pela proibição pois, caso aprovada, 4 anos depois ela seria reavaliada e novamente aprovada ou suprimida. Não foi esta opção que nos deram - temos que dizer definitivamente Sim, ou Não, assim, de supetão e meio no escuro. Estou inclinado a dizer Não.
enviada por Jean Scharlau
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