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29/08/2005 13:42
Caso de Campanha
Compareci sexta-feira à noite, 26/8, à reunião do PT em Porto Alegre para ouvir os candidatos à presidência nacional do partido. Havia recebido convite para um debate. Debate não houve. Houve sim uma sucessão de discursos: 10 minutos de cada um dos candidatos que prestigiaram com sua presença a militância
interessada. Tarso não prestigiou. Discursaram os cinco candidatos presentes: Plínio, o Velho, Raul, o Maduro, Pomar, o Moço, Sokol, o Radical
e Maria, o Rosário. Logo depois discursaram 10 participantes da platéia, 3
minutos cada um, e para encerrar mais 10 minutos de discurso de cada candidato.
Tarso, o peremptório, não compareceu a nenhuma dessas reuniões. Possivelmente ele, como seus colegas do Campo Minado Dirceu, Genoino, Delúbio, Martha, etc. considere a militância um processo superado de marketing político, uma demanda de tempo desnecessária. Pensando um pouco, há malas de razão para sua ausência, afinal Tarso, que não sabe nem um motivo para votar no PT, não saberia qualquer motivo para ser seu presidente.
Deixemos os ausentes rumarem ao enigmático e imagético ostracismo e
vamos às marcantes presenças. Estavam lá, além dos 5 candidatos, um ex-ministro-governador-prefeito, candidato à presidência do PT gaúcho, uns dois ou três deputados, umas três ou quatro vereadoras, umas quatro ou cinco
jornalistas e mais uns quatrocentos Joãos e Marias Ninguém o pessoal
que, junto a milhares de outros Pedros Nada, fez os primeiros serem
eleitos. Plínio, o Sábio quer educar Lula e, caso este persevere em erros, puni-lo, não entendi bem como. Raul, o Democrata quer maior participação popular organizada. Maria, a Carpideira disse que não deixará o PT morrer.
Pomar, o Arvorado quer punição para os comprovadamente culpados. Quem seriam? Sokol, o Original quer começar de novo, desde o Manifesto de Fundação. No total foram duas horas e meia de discursos, depois das quais todos saíram rapidamente, para pegar o avião, o hotel, a janta, sei lá.
Saí da reunião me perguntando: justifica-se esse gasto todo, gente vindo de longe, o minguado dinheiro do partido pagando passagens, estadias,
filmagens e o que mais, somente para que 400 pessoas ouçam 10 discursos curtos e 5 compridos?? Fui convidado para um debate e tomei 15 discursos nas
orelhas. Para valer a pena só se houvesse um debatezinho, pequeno que fosse.
Bem que tentei na saída, mas estavam todos com pressa - o show terminado, as cadeiras vazias, as inflamadas vozes silenciadas em passos pelos corredores. Pois bem, tentarei um debate por escrito, só de birra, porque tesão não há tesão em debater só vem quando se começa, e ainda não começou. E disseram que já é o quinto encontro dos candidatos frente à militância pelo Brasil afora com certeza o show já está no timing perfeito
e perguntas ou questionamentos diretos atrapalhariam a concentração da 'mesa'.
Caso alguém aí entre os companheiros saiba se agora é tudo assim mesmo, ou se ainda há possibilidade de se debater esse tipo de assunto quem escolher para a presidência do partido e por quê por favor, informe, pois não vi ninguém debater, nem informar onde, nem dizer se ainda existe debate no PT.
Jean Scharlau
enviada por Jean Scharlau
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