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02/06/2005 18:27
A MILÉSIMA SEGUNDA NOITE
O novo livro de Fausto Wolff.
Como um homem de 64 anos que viveu milhares de épocas e vidas diferentes
contaria sua vida? Como é que ele organizaria o caos atmosférico de flashes
para expor suas fotografias? Que roteiro estabeleceria quem percorreu,
vislumbrou e participou de milhões de roteiros? Como a mente de um homem de
64 anos que tem em si bilhões de anos contaria sua história e a de seus
contemporâneos desde o Big Bang? Fausto Wolff decidiu responder a essas
perguntas e o fez da única maneira possível a um homem: lembrou; o que não
lembrou pesquisou, intuiu, inventou e escreveu.
Fausto estabelece um ponto de partida: o fim do mundo. O mundo encerrado é o
início de sua volta ao mundo em 80 zilhões de anos. As histórias partem do
que já é findo, talvez para desvencilhar-nos de excessivas preocupações.
Seria possível então percorrer esse roteiro sem preocuparmo-nos com as
conseqüências? Saberemos somente ao partir nessa leitura, somente ao
redescobrirmos nela o mundo, porém visto pelo avesso. Fausto nos conta o que
viu-viveu-inventou e começamos a partir da primeira página de seu livro a
reconhecer e desconhecer o mundo vasto mundo que já não há. Esse portento
que teria existido nos mobiliza e monopoliza.
Fausto, para nunca ser chato, nem falar demasiado, ou pouco, o que poderia
custar-lhe a cabeça, resume tudo em mil noites de histórias, mais duas. Mil
noites, a nós que não conseguimos virar duas consecutivas, dá uma boa
idéia de infinito, e mais duas é, obviamente, um chiste com essa
continuidade absoluta.
A Milésima Segunda Noite (ou seria A História do Mundo para Imponderáveis
Sobreviventes?) é o resumo das lembranças de um homem de 64 anos
(cronologicamente registrados) com bilhões de anos (inconcebíveis,
irresponsáveis, inimputáveis, porém inesquecíveis) que viu caos,
perplexidade, desencanto, maldade, ignorância, estupidez, crueldade,
horror... Mas viu também belas alternativas, tentadas algumas vezes. As
alternativas é que nos fizeram chegar perto de construir as bases para a
vida sem fim. Pena que tenhamos sido insuficientes.
Felizmente alguém continuou, ainda que unicamente para contar. Fausto Wolff
sobreviveu aos últimos suspiros e contrações do falecido mundo e pode ser
até que nos diga o que o levou ao fim. Poderíamos aproveitar essas mil e
duas histórias, pensá-las muito dedicadamente e, quem sabe... Não! Mas isso
tudo são fantasias! Quem teria medo do fim do mundo? Quem teria medo do
mundo, em primeiro lugar? E antes disso: quem acreditaria no que escreve um
dinossauro embriagado de humanidade?
Jean Scharlau
enviada por Jean Scharlau
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